Carmonti renasce das cinzas

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A empresa de transformação de carnes Carmonti, no Montijo, investiu cerca de 20 milhões de euros para reconstruir a fábrica destruída por um incêndio em Agosto do ano passado. Em menos de seis meses, a empresa reergueu a fábrica, já a laborar em pleno, e até ao final do ano vai inaugurar uma nova nave industrial. “A área reconstruida tem à volta de seis mil metros quadrados e com a nova nave a infra-estrutura industrial passa a ter oito mil metros quadrados”, revela em entrevista ao HIPERSUPER Sónia Ferreira, administradora da Carmonti, acrescentando que a amplicação das instalações vai permitir a criação de 100 postos de trabalho até ao final de 2014. Actualmente, a empresa emprega de forma directa cerca de 200 trabalhadores.

A fábrica, com mais de 30 anos, está agora “dotada de maquinaria de última geração”. O objectivo é “aumentar a capacidade de produção”, entrar em “novas categorias” de produto e tornar o negócio mais “competitivo”.

NOVA ESTRATÉGIA

Actualmente, a empresa de transformação distribui carne fresca a granel e fumados junto das grandes superfí- cies e do canal tradicional. Quando estiver pronta a nova nave industrial, a Carmonti vai lançar novos produtos e entrar em novas categorias, concretamente fatiados e enlatados.

“No caso dos enlatados vamos apostar sobretudo na exportação, com a marca Carmonti. Queremos começar pelos mercados internacionais e analisar a aceitação. E, depois, naturalmente, começar a trabalhar o mercado nacional. No que diz respeito aos fatiados, é ao contrário. Vamos come- çar pelo mercado português, nomeadamente junto do canal tradicional, como charcutarias e talhos”.

A empresa do Montijo exporta actualmente carne de porco congelada a granel para quase todos os países europeus e para a China. Os produtos transformados são exportados para Angola. “Temos um parceiro de longa data neste país africano e vamos começar a exportar os novos produtos enlatados para Angola, assim como para os EUA, ambos os países com uma grande comunidade portuguesa. Candidatámo-nos também a uma auditoria para começar a exportar para o Brasil e o Chile, sendo que este último país está a apostar forte nas trocas comerciais com Portugal”.

OBJECTIVOS AMBICIOSOS

A Carmonti conheceu a luz do Sol há 29 anos mas só está nas mãos da família Ferreira desde 2009, quando foi adquirida a um conjunto de 17 sócios. “Mas, desde o tempo do meu bisavô, que operamos neste mercado, sempre tivémos empresas nesta área de negócio”. Quando adquiriu a Carmonti, o clã Ferreira encontrou uma empresa “com vários problemas estruturais e financeiros, com instalações rudimentares e obsoletas. Por isso, quando ardeu, em Agosto de 2013, a infra-estrutura estava praticamente nova. Colocámos novas máquinas, aperfeiçoamos a zona de abate, mas com o incêndio tudo desapareceu”. Apesar do incidente, a empresa manteve os postos de trabalho e os próprios colaboradores participaram nas obras de reconstrução. Em quatro anos – 2009 a 2012 – a Carmonti aumentou o volume de negócios para 52 milhões de euros. No ano passado, a empresa facturou 40 milhões de euros até Agosto, quando as chamas destruíram as instalações. “Quando a nova nave industrial estiver a laborar em pleno, e tendo em conta a evolução da empresa até 2013, estimamos estar a facturar 100 milhões de euros no próximo ano”.

A exportação, que representa actualmente cerca de 30% do volume de negócios, deverá crescer 20% até ao final deste ano, estima Sónia Ferreira. A Carmonti está a abater actualmente cerca de 6 mil porcos por semana, cifra que deverá aumentar “bastante” quando a nova nave industrial entrar em funcionamento. A matéria-prima é adquirida junto de suinicultores de várias regiões do País, mas sobretudo da zona de Leiria. O futuro desta empresa está agora nas mãos de Sónia Ferreira, 38 anos, e o irmão José Ferreira, com 43 anos.

Por: Hipersuper